Montanhismo no Paraná – Trekking ao Pico do Itapiroca

A criação do Viagem Kombinada tem nos proporcionado conhecer muitas pessoas legais, dentre elas, o casal Alessandro e Kamila.

Alessandro e Kamila, moram atualmente na cidade de Curitiba – PR, e  nos convidaram para subir o Pico do Paraná, maior montanha do sul do país, com seus 1876m acima do nível do mar.

Convite aceito, marcamos para o dia 30 de agosto a subida o Pico Paraná com pernoite no cume, com o simples objetivo: apreciar o espetáculo do pôr do sol no dia 30 e nascer do sol no dia seguinte no cume. E graças a eles, nossa visita a Curitiba acabou se tornando uma incrível aventura, para os “tiozinhos” aqui!

Chegamos em Curitiba dia 27 à tarde, cumprimos a agenda familiar, e na terça-feira a tarde separamos os equipamentos e montamos as mochilas.

 

Feito isso, decidimos compartilhar em nossas redes sociais que iríamos subir o Pico Paraná na quarta-feira 30 de agosto.

Bendita hora que fizemos isso. Logo que postamos, começamos a receber mensagens de amigos montanhistas experientes nos alertando do alto grau de dificuldade que é a subida ao Pico Paraná. Conversamos então via telefone com o Carlos Henrique Câmara e Marcelo Barreto, montanhistas experientes para em conjunto avaliarmos se era viável enfrentar a subida.

Conclusão: não estávamos aptos para encarar o Pico do Paraná. Não iríamos fazer a trilha.

Tomada esta decisão comunicamos aos nossos amigos que entenderam a situação, e para não perdermos a viagem, sugeriam subir parte da trilha que leva ao Pico Paraná (PP), chegando ao Pico Itapiroca.

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Vista do Geral da Região

Aceitamos e as 10 horas da manhã chegamos a Fazenda Paraná, localizada entre Campina Grande do Sul e Antonina, na Serra do Mar paranaense, a cerca de 40km de Curitiba.

Trilheiros
Cris e San, Alessandro e Kamila, ao iniciar a trilha

Foram cerca de 7 longas horas de caminhada para se chegar ao cume do Pico Itapiroca, 1.805m acima do nível do mar. Normalmente trilheiros com bom condicionamento físico, percorrem este trecho de 4,4 km em 3 a 4 horas.

Devido ao nosso péssimo condicionamento, percorrer a trilha foi um constante desafio físico e mental, mas no final concluímos que nosso limite é maior que imaginamos.

A trilha inicialmente é íngreme, e o sol em alguns pontos castiga. O primeiro ponto de parada é o Morro do Getúlio, com 2 horas de caminhada. Chegamos já exaustos e decididos a desistir, mas nossos amigos nos convenceram a prosseguir.

Bifurcação - Pico Paraná x Pico Itapiroca
Placa na bifurcação da trilha, indicando a direção para o Pico Paraná e para o Pico Itapiroca.

A parte seguinte até a chegada ao primeiro ponto de água, agora sob a copa das arvores não apresentou dificuldades, mas dali para frente a trilha apresentou inúmeras dificuldades técnicas e exigiu muita atenção. Este trecho é bem íngreme, com muitas raízes expostas, alguns pontos com grampos, o que exigiu um considerável exercício físico para chegarmos ao topo da montanha.

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Em primeiro plano o Pico Itapiroca, ao fundo o Pico Paraná

Mas todo o esforço foi recompensado, quando no cume contemplamos a maravilhosa vista do Pico Paraná, da Serra do Mar, com sua exuberante Mata Atlântica, no litoral paranaense.

Vista para o Pico Paraná do Pico Itapiroca.
Vista para o Pico Paraná do Pico Itapiroca.

Chegamos ao cume do Pico Itapiroca, às 17 horas, montamos o acampamento e fomos apreciar o pôr do sol. A noite foi de muito papo e apreciação das estrelas.

Na manhã seguinte, acordamos bem cedo para vermos o raiar do sol. Foi um belo espetáculo… estávamos acima das nuvens, e os primeiros raios de sol pintavam o céu em diversos tons.

Tomamos café, desmontamos acampamento com muita calma, e as 10 horas começamos a descida para a Fazenda Paraná, sem muitas paradas pelo caminho, chegando à base no início da tarde sem nenhum imprevisto.

Preparamos dicas importantes:

  • É proibida a entrada na Fazenda Pico Paraná, de qualquer visitante que não esteja com sua própria lanterna e apito.
  • Melhor Época: Todo o ano. *Sujeito a alterações conforme condições climáticas – Durante o inverno (abril a setembro) é a melhor época (mais seca).
  • Sobre a Fazenda Pico Paraná: A Fazenda Pico Paraná possui infraestrutura básica para atendimento dos montanhistas que vão ao local. A Casa de Apoio ao Montanhista coloca ao seu dispor:
    • Área de camping;
    • 01 Banheiro com chuveiro quente;
    • Cozinha com pia, fogão e fogão a lenha para o preparo de refeições;
    • Áreas específicas para fogueira;
    • Estacionamento;
    • Churrasqueira móvel.
    • Lanchonete: Venda de pizza, pasteis, cachorro quente, cerveja, chá mate, refrigerante, cerveja, agua entre outros.
    • A Casa de Apoio é também o ponto de encontro dos montanhistas e aventureiros da região, que não raro, marcam novas aventuras e contam as antigas, em rodas de amigos. O clima amigável dos proprietários irá despertar em você a vontade de regressar.
  • COMO CHEGAR:
    • De Carro – Sentido SUL-NORTE – Saindo de Curitiba, pega-se a Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), sentido São Paulo. Após 40 km, contando do Trevo do Atuba (km 48), você encontrará o Posto Tio Doca (ao lado esquerdo da rodovia). Diminua a velocidade! Logo adiante por mais 1,8 km, chega-se a uma ponte sobre o Rio Tucum (km 46). Exatamente na cabeceira desta ponte (antes de cruzá-la) entre a sua DIREITA, numa estrada de terra. Segue-se por esta estrada aproximadamente 5,5 km, até a Fazenda Pico Paraná. Nesta estrada há algumas bifurcações. A direção correta está indicada por placas com o escrito “FAZENDA PICO PARANÁ”.
    • De Carro – Sentido NORTE-SUL – Vindo de São Paulo pela Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), cerca de 5,5 km após passar a ponte sobre a Represa do Capivari, chega-se no posto Tio Doca, à direita. Deve-se pegar o primeiro retorno, logo após o posto, e seguir então as mesmas instruções indicadas acima, para quem vem de Curitiba.
    • De ônibus – Embarque: Rodoferroviária de Curitiba.
    • Empresa: Princesa dos Campos.
    • Linha: Curitiba – Registro/SP ou Curitiba – Rio Pardo
    • Destino: Terra Boa. Dar como referência o posto Tio Doca, que fica nesta localidade. Após passar o ponto do posto Tio Doca, pedir para o motorista para descer na próxima parada, que fica exatamente junto à ponte sobre o Rio Tucum. A partir da ponte, seguir as mesmas orientações dadas acima, para quem vai de carro. O posto Tio Doca é o primeiro posto do lado esquerdo da BR-116 (sentido Curitiba – São Paulo) após passar a entrada da Estrada da Graciosa e a Polícia Rodoviária Federal. O tempo de caminhada da BR-116 até a fazenda é de aproximadamente 1,5 horas.
  • CHECK LIST – O que Levar
    • Vestuário 1ª Camada (Calça e Blusa 2ª Pele) + Camisa para dias quentes (evite algodão)
    • Vestuário 2ª Camada (Aquecimento) – Blusa Micro Fleece ou Pura Lã (evite algodão)
    • Vestuário 3ª Camada (Anoraque Impermeável e/ou Jaqueta Corta Vento (Repelente a água) para dias chuvosos e/ou frio) – Extremamente importante!
    • Tênis ou botas para caminhada
    • Meias (Sintéticas ou Pura Lã) – (evite algodão)
    • Chapéu / Boné / Viseira
    • Óculos de sol (Opcional) – Se trouxer, use tiras para evitar a perda do mesmo
    • Sistema de hidratação: Garrafa, cantil, mochila de hidratação
    • Protetor / Bloqueador solar esportivo ou de grande resistência à água
    • Protetor labial e Repelente de insetos.
    • Mochila de no mínimo 40L (Estilo Cargueira – Com fitas barrigueiras) – lembre-se dos equipamentos necessários: Saco de Dormir + Roupas + Barraca (Dividindo com seu parceiro) + Água + Isolante térmico + Itens pessoais + alimentação.
    • Para acampar:
      • Barraca de Ataque (2 pessoas) – Leve, compacta e resistente ao vento e chuva
      • Isolante/colchonete Térmico;
      • Saco de Dormir de no mínimo 0º (Temperatura de transição/conforto);
      • Lanterna (Obrigatório);
      • Apito (Obrigatório);
  • COMO AGIR:
    • Esteja bem fisicamente, o trekking é difícil;
    • Tenha atitude mental positiva em situações inesperadas;
    • Esteja ciente que as atividades na natureza podem indicar riscos e terá que supera-los;
    • Tenha flexibilidade e senso de humor, assim sua trilha se tornara ainda mais agradável.
    • Não crie expectativas de que tudo ocorra com perfeição ou dentro do planejado, mas sim, prepare-se para viver momentos intensos;
    • Esteja preparado para mudanças climáticas, e saibas seguir ou desistir com segurança.
    • Curta a natureza e respire o ar puro das montanhas.

 

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Casal de Fotógrafos, trabalhando, morando e deslocando-se pelas regiões brasileiras a bordo da Kombi Beatriz.

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